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Situação

Uma fatia de aço temperado com ferro em ponta. Um guisado de brasa viva misturado a pedaços de bronze derretido para fender a garganta e não deixar nenhum nervo no lugar. Um punhal ardente acompanhado de faca de dois gumes. O corte da espada bem no centro do cérebro. Arame farpado a circundar todo e qualquer movimento. Aquarela de alumínio com tintura de iodo. Mercúrio em gotas solares na coroa de cada dedo e muito pedregulho para mastigar em vez de palavras. Blocos de cimento e vergalhão indo do estômago ao peito, numa única armadura a fim de desviar a respiração do centro cósmico do cotidiano. Calhaus em matéria bruta no cristal de rocha do levantar-se. Penedia em cada sensação. Quartzo pelos ângulos do corpo que poderiam ser arredondados. E no agudo e rígido querer da língua o ósseo, o granítico, o hirto surto a enrilhar a saliva. Depois, retesar o petrificante, petrificar o marmóreo, marmorizar o empedernido.

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Pelos sertões da lua

O lobo está ali na frente. Seus olhos têm poços profundos e inquietam as nuvens. Ele é verde, e suas garras inscrevem hieróglifos no chão. Não quero lê-los. Pressinto a mensagem. No pelo incrustado de luar há noites que não são minhas. Temo-o até certo ponto, pois algo me diz que ele vem de mim, apesar da raça estranha. No seu desinteresse altivo há um mistério palpitante, o crocitar (não dele) de uma era que acabou. Olhando-o, sei que a primavera e o verão já se foram. Há o outono escalavrando folhas e troncos e colocando outro tom em tudo. Todavia, recuso a mortificar-me. A diáspora entre nós não é intransponível. E eu sei que chegará uma hora em que terei de ir. E ir é um engenhoso ato de fazer-me mais vigoroso do que já fui até aqui. Este é o desafio. Não penso em deixar carcaça pelo caminho. Olhando o vigor do logo, sou compelido a deixar muitas páginas. Nelas alguém poderá encontrar a maquinaria do pensamento e das imagens divagantes pelos sertões da lua. E no mapa construído a mezza-voce alguém reverá seus conceitos. Até atingir uma profundidade que não logrei alcançar. Neste jogo, o buril passa-se adiante e alguma lente para os hieróglifos do lobo e sua biografia será o tom de leitura. Não temo a imigração por garimpos vários. Minha vida tem muito disso, e o lobo sabe, por isso me encara com o requinte de quem atravessou tantas estações para chegar à definitiva. Convida-me a partir. Irei. Depois de entregar-lhe as ardentes criações e fazer da relutância um ato afirmativo de quem ainda está com a caneta na mão.

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Veneno reto

Um gosto pervertido de amarelo no ar. Alguma coisa excessivamente reta no ar. Uma bolha reta. A flor de repente aberta e seu saber de que lado vem o sol. O corpo estremece em meio ao ar reto e a percepção da febre infiltra-se nas veias, vai às camadas profundas do organismo e ali explode em escama e asa. Depois o corpo dobra-se sobre si mesmo e a dorme suspenso no ar reto, na perversão do amarelo que contamina folhas, caule e frutos. A manhã não aconteceu, o grande dia não veio, só a faca funcionou. Ela corta a bolha de ar em fragmentos retos e deposita a borra sob as unhas. Ninguém será capaz de proporcionar a limpeza e tirar da língua o amarelo que se faz em camadas sobre a pele, o calor da pele, sua antiga beleza. Adormecido no torpor do nada, o corpo reto adentra o tédio. O tédio é a grande aventura, a bolha inóspita no interior da qual a flor desponta na função de aviso: o que feneceu não tem como voltar, daí o amarelo, a faca, a febre, o tremor dos dedos comprometendo a cor da manhã. A carne da alma se desvanece através dos poros. A borra acumulada na superfície dos olhos explode em amarelo reto na fímbria da faca. O aviso está dado: a doença só é onde existir a falta. E aqui a falta é imperatriz com todo o séquito de poderosos. Ela manda seus editais para o vento espalhar sua voz amarela no gosto pervertido da alma que salta pela boca, inseto de bolha, cobra malsã, delírio de gestos descentrados sob o manto adúltero da grande dama, a imperatriz a reinar sobre o exército das cores rumo à boca que as mastiga para expelir os peristilos de veneno reto a solidificar no ar. Então não há espaço para o corpo. Ele se investe de falta e na falta adormece para acordar noutro dia e refazer o périplo da agonia: há um gosto amarelo de perversão no reto excessivo que floresce no ar e prepara câmaras para a morte dos olhos e de todos os órgãos amarelos.

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Olivier Martinez

A tarde borbulhava suas canções de pedra. Depois se transformou numa longa noite de sonhos vazios. Neles, Olivier Martinez com seu apartamento repleto de livros, confusão eufórica de livros por toda parte. Olivier era um desses morenos que nunca apertam nossas mãos. A crosta da noite fazia uma barragem contra a enchente do rio. A superfície da noite era a flor amarela de um copo de suco para aplacar a garganta dilacerada pelo bombardeio dos remédios. Nós tomáramos mais um, este para dormir, e não dormimos. E nos reviramos tanto que os lençóis logo eram chapas incandescentes crestando as dores, acentuando as faltas, abrindo poços de imersão parca, porque onde o corpo mergulha à noite é sempre raso e tem a insuficiência de uma visão que traz Olivier como portão de entrada. A noite abria seus faróis, sem trazer névoa ou descanso. E sim tribos falantes para as veias trançarem com maior fúria o garrancho da insônia. Lá no longe, automóveis voavam entre gritaria de vozes de quem está na vida e com certeza não precisa de um copo para ver no seu fundo a efígie de Olivier. E se o viram, sequer perceberam seu raro fulgor. Agora os bois estão inclinados e pastam. Nós pomos a cabeça no travesseiro só para reconhecer que os olhos arderão na explicitação do escuro e têm como reavaliar cada sorriso de Martinez, revendo os cantos entulhados do apartamento.

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Vagar pela crosta

Andei voando pelos sentimentos mastigados. Depois pesei melhor e vi que de verdade andara rastejando por estas pontas de arame que sempre ficam onde nunca avisam. Passei a extremidade dos dedos pela crosta refratária de sentimentos não muito claros. Eles que são poços e violeiros soterrados e lembram do mar de uma tarde que já lá se vai. É difícil a tarefa de se submeter a certos desvãos do que sentimos, pois fica um compromisso com o ensaio, a vontade de discorrer a partir de filósofos e outros tratadores do curral da língua. Aquela compulsão sórdida para classificar nuances e tons. E depois revê-los de viés para dizer: este eu entendi, este apresenta atração pelo baixo, a escala daquele é mais cortante, as unhas deste aqui ferem até onde não há carne. Andei vagando por mim mesmo – esta tarde pesada, estes desarranjos desatinados que se cravam na quina de nossos olhos e de repente estamos lacrimejando como velha monja de hábito rasgado e um sentimento confuso de confuso sentimento no maremoto central. Até aprendermos que é assim mesmo – as pessoas se engatilham em série de compromissos para dizer que a vida tem crosta, e isso não resolve nada. E perguntamos: e daí? a solução está onde? em quê?

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O fluxo da beleza

O mundo te contempla de um ângulo especial, por mais que insistas em nada ver. Da cor da tua pele, meio azulada, meio violeta, dançam as constatações que te fazem mais íntegro ao olhar alheio. De certo tens punhais sob as unhas. E escondes tigres nos punhos do casacão. Mesmo assim, o mundo admira teu porte e faz da tua presença um motivo e estátua e canção. Por que interesses finges nada ver? Dividir com o mundo um pouco da aceitação da beleza é um gesto de convivência e te deixa em posição de seres mais admirado. Não importa o tom do olhar, o contorno adiposo de cada luz dirigida em tua direção. Importa a afirmação de quem te vê e te encontra dentro de um nicho de pequena maravilha do cotidiano. Se há ruídos de máquinas ao teu redor, há também murmúrios concentrados no mínimo gesto de levares um dedo aos olhos para limpar a pálpebra. Acontece numa hora qualquer de alguém te ver e querer contemplar com mais vagar os azuis de tua pele. E nesta hora o relógio avança seu barco adunco para deixar bem registrada tua presença entre os tantos festivais do mundo. Se há múltiplas belezas no dilúvio de tua pele e de tua presença, deves aprender a humildade de te deixar ver. É simples. Não exige contatos ásperos. O mundo te contempla e te gosta assim. E teus ângulos que têm o espírito da matéria precisam ser maleáveis a fim de que o olhar do outro não fique mudo, nem perca a seta da direção que estava apontada para o fluxo do coração de tua beleza.
Para Jessé.

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Flores noturnas

As flores noturnas da hora explodem no dilúvio do tempo e as flores respiram e levam na sua seda a trama do tempo.
As flores noturnas se debruçam sobre lagos e nas ondas de aquático arquejo elaboram a trama do tempo.
As flores persistem em sua posição de vagas sentinelas e não deixam o tempo abortar. Nele tecem as linhas do que vem e do que vai.
As flores noturnas, no tempo, fazem da hora trama frágil e, quando vemos algo muito intenso…passou e estamos ainda com os olhos transparentes e presos no que foi consumido pela hora.

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As mãos

As mãos estão aí. Nem canônicas, nem profanas. Mãos humanas. O que já é uma longa história. Estas mãos acolhem o ninho, os insetos saltitantes. Estas mãos encobrem o rosto querido, desfiam o casaco, bordam no lenço um anagrama incompreensível. É assim com estas mãos e muito mais. Olhe a sua cor, as muitas nuances, os rios submersos. Olhe as placas se desprendendo em pele, os letreiros luminosos de uma noite que não é mais, o caule do prazer a que se aferraram até chegar aqui, mansas como uma pastagem, mudas como uma sinfonia não executada, agrestes como a superfície do ribeirão na seca. As mãos estão aí. E integralmente postas na porta da casa ou na varanda. Nada mais elas esquecem, porque perderam toda a memória dos fatos. Estas mãos se culpam pelo não havido. O que é o não havido quando houve tanto? (Segundo Nilton Bonder, a vida é cumulativa, não pontual.) A sensação de insuficiência enreda estes dedos em voos de máquinas extraviadas. A certeza do vazio de cada ato pinga sobre as unhas. Uma mistura de óleo e fostato. Porém, vistas bem de perto, num primeiro plano, em close, estas mãos têm suas epopeias gravadas no silêncio da pele. Ninguém tira delas o que elas caminharam em grau de pequenas aventuras do cotidiano. Ninguém anula nelas os vendavais de sementes, depois brotando na luz dos olhos. Ninguém apaga cada curto gesto de chegar até alguém e dizer: te quero. Numa praça mal nutrida houve trocas de sumos. Nun canto escondido houve intercâmbio de calores. Numa cama proibida houve o rasante mais gigantesco que tecnologia nenhuma pode repetir. Cada mão é uma suíte de significados a preencher a cada dia. As mãos estão aí. E não querem veneração. Apenas estão como os gatos ao sol. Recordam-se de pianos submersos, de um abraço entroncado na bebedeira, quando depois o sexo floresceu na proibição da noite, de tardes e tardes acolchoadas no terror do brilho amado, quando aquela boca era mais que boca e deixava a pastagem repleta de sílabas sussurradas. Houve muito, sim. As mãos estão aí e podem pesar cada ato, circundar cada dia, materializar a lembrançansa no frisson que ainda se estica corpo a fora. As mãos estão aí e regem uma sinfonia do inacabado do endereço que foi trocado por alguma coisa muito mesquinha. Elas conhecem o corte, o impossível. Averiguam as negações e as farsas. Examinam transformações e o que destas cresceu como teatro simulado na noite anulada pelo obrigatório dever. As mãos podem não ser sábias, entretanto, leem perto da exatidão o sentido confuso dos ventos, a subjetividade maltratada, a química da tentativa ainda incipiente de encontrar um sopro de liberdade. E, nesta, conter no seu ninho o pássaro túrgido que sabe voar sem muito esforço, o pássaro rijo entre duas colunas adolescentes, e entende as línguas dos rapazes – esta voracidade assinalada pela musculatura leve de peitos que as mãos tratam com brandura.

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Escrever não é ato secundário

Não falei das plantas verdes em algum lugar. Dos poços de outono a lembrar os escritores que se suicidaram. Minha voz é uma onda muito branda e de nada adiantaria eu bradar aos quatro ventos. Pois tenho investimentos antigos na noite rosada, este tempo de ventania e páginas revelando por que aquele autor se matou e mais este e mais aquele, segundo Joseph Heller arrola com suave ironia. Não falei de pedras rolando na encosta porque isso é absurdamente inútil e sou dos que vêm com o coração espetado de asas de borboleta e há muito tempo não toma banho de rio. As pedras são saliências duras ou falta de atrevimento da Terra. Mas quem sou eu para criticar a Terra, nossa casa inicial e final. A Terra me habita pelos pés, e colho-a com dedos em riste, e seu sabor é acre como uma sombra sobre um poço, onde um lembrete avisa que o escritor fulano de tal se foi. Dou muito crédito a estes avisos, uma vez que sinto em mim a mesma caminhada, o mesmo desassossego a ponto de tentar conciliar as coisas, escrevendo, mesmo que meus dedos estejam tão frenéticos que pareço o velho que ainda não sou. Com os maxilares endurecidos, procuro imagens que me confortem por meio da escrita que não é minha atividade secundária. Tenho a medula nela, com teia, vidro e borrão. O sangue nela, com peixe, pano, algodão. A frágil arquitetura dos ossos com néctar, vinagre e carvão. Não falei exatamente de minhas propostas para os luares de abril, isto é cadela no cio, uma vez que minhas ideias são apenas sugestões de lavra própria em diálogo com o que não sei. Manchas, pinceladas, gotas e pouco importam à redondez do mundo e seus fenômenos. Estas ideias fracas não têm suporte, apenas trave, caverna, febrão. E não podem ascender à mínima colina ou a uma janela fechada. Débeis e sem tônus, elas aparecem do nada (quem garante?) ou são empurradas do ovo túrgido encontrado num livro. De qualquer forma, não podem interessar a ninguém, em especial quando sugerem sublimações para ocasos naturais e, assim, absorvidos sem pensamento. Não falei de meu peito acorrentado para o urubu. A quem importa? A ninguém, é óbvio. Esta a razão de eu seguir com os olhos e a pele os navios desnorteados entre astros no horizonte, as lagartas prenhes de vento, as florestas no abismo de cada ser torturado por paixões inconfessáveis e uma infância com fontes onde brotam águas verdes, limo, caracóis, anéis, cisternas. De jeito nenhum, não falei de paixão por um modismo até supéfluo: a paixão queima, derrete, destroça e nada constrói além destes esqueletos engavetados que insistem em andar e comer, como se o amanhã fosse deles. A paixão tudo conserta no fio do punhal. Nada é dos esqueletos também, dado que sua carne está postada no mercado centrífugo do andor a endoidecer, ancinho a carpir no peito as antigas tatuagens da liberdade e do piano sem teclas soterrado na areia. Não falei da paixão por isto: anula o ato livre, queima o espaço, envenena o pensamento a amarrar-se em ouvidos de sereias e pelourinhos para automutilar as mãos, enquanto os sábios deliram em suas sinfonias.

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As vertigens, a vertigem

Minhas vertigens são da natureza do diamante – duras, transparentes, cobiçadas pelos gananciosos do mundo. Minhas vertigens são tais qualquer violino – tocam várias música, em especial as mais complexas, quando a alma se desfolha em precipícios.
Minhas vertigens lidam com cavalos em pastagens aquáticas e estes submergem em busca de navios desamparados pelos naufrágios.
Minhas vertigens são cósmicas – andam ao redor do mundo e encontram: casas de barro no deserto, casas da tábua nas palafitas, casas de papelão nas favelas. E isto é intrigante: depois de tanto progresso e tanto fala em congresso?
Minhas vertigens prosperam como uma ternura distraída e no seu fundo há o zumbido de avião – para onde vai? Não sabemos, só sentimos a saudade.
Minhas vertigens oferecem imagens periféricas. Elas fogem do centro por uma questão de estética. Fogem da fumaça, buscam o nevoeiro enluarado que só nos arredores daqui pode existir e pulsar e bramir que nem animal acuado.
Minha vertigem é um animal acuado. Ele ouve versos de jovens poetas ainda virgens, mas com a boca inchada de versos. Ele desliza pela parede à cata de arabescos que enfeitem a pelagem consumida pelo tempo. Ele morde minha mãos. Sangra. É coisa pouca. Sugo o vermelhão que tinge meus lábios e faço novas estampas nos papéis brancos que encontro.
Minhas vertigens pululam na condição de mariposa em torno de um bastão de luz na noite de verão. Sob o poste, senhoras gordas conversam sobre as traquinagens dos filhos. Uma reclama mais do que a outra. Até que houve uma hora em que os mosquitos desceram, picaram os braços volumosos, obrigando as gentis senhoras a se recolher, quando encontram os maridos já roncando. Se irritam e não falam nada, porque não adianta. Só as paredes receberiam a confissão de sua ira.
Minhas vertigens escorregam pela lama dos córregos onde não há mais peixes, nem banho para as crianças. Os córregos morrem de sede, como um escritor falou. Na lama, as minhocas sufocam-se. Os pés afundam e entre os dedos, pequenos seres nervosos agitam seus corpos esbranquiçados, dos quais Clarice teria nojo. Minha vertigem filosofa como o cão de Kafka, tão estranho em suas considerações, todavia, é Kafka, o que se há de fazer?
Minha vertigem traz à tona o ardil evocativo da carne, esta carne surrada, batida, macerada nos encontros de quinta-feira, época de delírios e aconhegos, ensinamentos e aprendizagens, até que o aprendiz vem com uma técnica nova, supera o outro, e tudo fica muito bom, como ele diz.
Minha vertigem considera o ácido um exato modo de morrer. Só que morrer agora é prejuízo. Algumas janelas no espaço escuro estão sendo abertas e convém aproveitá-las: um conto aqui, outro ali, uma entrevista, análise de textos enviados à editora, promessa irrevogável de publicação, depoimentos num projeto que resgata a memória da literatura do estado. Haverá um novo status, um estágio renascedor e vou cantar em silêncio a mínima glória de ser, a epopeia caseira. O estar aqui.
A vertigem a me dominar tem mil olhos para mil figuras deslumbrantes. Não vou amá-las, porque este não é o tempo e convém seguir o Eclesiastes.
As vertigens que me contêm, me contêm dentro de um plasma, no picadeiro do circo. A plateia aplaude. E alguém virá me libertar?
Viver de vertigem é saudável para a razão.

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