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Am

As neves

as lavas levam

As lavas

as neves lavam

(1999)or

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Massiva em cima da mesa

se saberes de mim importa

rarefeito feito véu

viajo em mim troglodita

desfeito em hiato breve

ave de rapina empunho

opus do degredo no meu segredo

obus que carrego secreto

eu exterco do meu ego

ergo como um falso cadafalso

a voz o oco o breu o meu

hirto de sombra tombo e arrombo

em rombo o último sonho

só estou pra ti e tu não há mais

desfigurada presença na sentença

de sempre doença: tu sedenta ausência

(1999)

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Camões é o toque

Temos alguns nomes

sobrando nas ramas de nossos braços

Alguns riachos sementes

entre as pálpebras

a adormecer um segredo de vida

e ficar

ficar varando as trevas das palavras

Temos pigmentos e cores

sobrenadando a polpa dos frutos

Ainda corremos em nuvens

segredando a pelúcia da planície

entre vales velhos de extração

Temos aritméticas várias

de panos enluarados com que tecer

vendavais de adormecer signos

presos em sala de palha que espera a tarde

Paixão é pó e vinho veia e ardência

ainda que mais não diga

por não parecer correto

falar de tanto amor

quando tão pouco é o corpo

(1999)

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Coisa nenhuma

Se você lesse

todos os livros que te amo

se aninhassem em palavras

que te penso

se olhasse os caminhos que adivinho

rotas noites deste lugar

se você voasse os navios

que invento e o mar

que onda e balanço rasgam vagas

se você regressasse os versos velhos

voltam teu rosto

se você andasse os traços

que estou devagar

e moldo enquanto insônio

(1999)

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Tudo reluz

Tudo reluz

porque seduz

o pus

A verve

o verme brame

A luz conduz

o som e o tom

E entre pautas

patas fatos

teu fato carne

à glória induz

Repasto doce

reparte o ocre

o rubro o aval

Navio de arte

me singra o sangue

consome à parte

meu facho canal

A tua beleza

esponja nua

suga o éter

de meu carnaval

(1999)

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A vida por um pio

O pó gemendo na sombra

confundem os pés e os pios

Rios submersos emergem

a pontiaguda vara da manhã

Rostos retalham cortinas

depois que as xícaras

amarfanham o sono no marasmo

Um som oco substitui o trabalho

Alho e óleo na boca

corcoveiam grandes animais no estômago

Tudo breve brame

Breu nos beijos

Deu nos beiços a doenças – vazio

Pio- não palavra

Pó – não substância

O rosto esplêndido é o azar do não-tido

mantido o hiato fatal: lá cá

O rosto adorado é ídolo partido:

não se toca: é letal

Por que maldito?

Nenhuma explicação avança

Fetiche não se retém na unha

o breve contato de um abraço

disfarce de cópula não havida

porque neste amor não há vida

(1999)

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Manhã – um traço

Sonhar com um barco

e com um dente preso

dentre os pomos da maçã

Abrir no buraco o arco

e ter um ente vivo

atrás dos poros da pele vã

Partir na arca do mar

e bramir no ventre verde

o cerne quente da manhã

(1998)

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Coroado de merda

Vitória régia

Vitória prévia

Vitória média

Poder cantar por mim um sim

sinal de vida

sinal de ida

sinal de midas

ouro em pó furor carmim

Eu vejo a hera

eu vejo a fera

eu vejo a era

do sol torrar meu capim

Me deixo agora

cantar de novo

à beira noite

no torpe corpo

de nenhum festim

(1998)

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C

Vou fazer assim a sombra

dançar silenciosa

em cio

entre o suave lugar

e o lento voar

de asas e sementes

que se somam e saem

sempre como serão:

serenos acenos e cenas

subtraídas da mente

metamorfose demente

de cílios cérebro sexo

espécie de meta de morte

e serpente

o absurdo cenário que assanha

a senha final:

de sentido

nenhum sinal

(1988)

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Aia

Mas

por estranho dom

a luz que sem efeito resguardo

é sombra diluída

monstro pacífico

louca companheira

veneno sutil

nunca me abandona

o outro lado de minhas dobras

meu escuro

escrava de mim

(1998)

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