Tenho pra mim
que vou contar meu poema
Fazer como faz o pintor
em sua tela:
ouve a tinta o pincel a forma
Cumpro a voz do poema
e talvez me cale
O pintor também emudece
no abismo de treva em quadro
Sei lá se convenço o poema
a me ouvir
Não ser retrato
Nada de dor e que tais
Ele falará de um adeus
(breve) coisa assim pra
quem se foi há algum tempo
Cifro o poema no ritmo
de pé quebrado sem atadura
Nada de rima metro de ginástica
Lhe dou a voz que rouca
é mina pra tudo
que tem fim nesta hora
Para Carlos Dala Stella

Postado em por autor in Poesia 1 comentário

Em reposta a

  1. carlos

    Paulo, lendo teus poemas ouço tua voz, nítida, no silêncio da noite. Entre grilos, motores, desejos. Tua voz risca a noite como um veio incandescente. E me sinto tão grato por tão longa amizade. Como se atingido por um raio branco de conforto. Tão grato e tão apaziguado, que até parece mentira que o tempo corta e a vida mutila. Beijo do coração.

     

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