Epifania partida

Qualquer iniciação dói. Dói no nervo exposto da expectativa, dói na flor arroxeada cujos canais de nutrição tentam explodir sua pele partida, macia. A iniciação é absorver o abismo, como é convidar-se ao inferno corporal de manter-se outro depois do um. As mãos perdem as luvas da autoridade sonhada e se revestem de outra pele, com inscrições a ordenar subida ou descida. Iniciar-se em ramo, breu ou fontes é abandonar a lisura da primeira natureza. Depois ocorrem as chuvas, os meios transbordantes, ou um ínfimo deserto que começa em origem desconhecida e acaba por tomar todo o dogma parcial dos poros antes abertos ao que viria.

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