Bicho livre no espaço

Perguntaram-me o sentido das manchas nas mãos, da rede nos olhos com som distante de outras vozes. Não sabia o que responder e abaixei a cabeça, crente que me deixariam em paz. Perguntaram-me pela maligna energia dos meus dedos na tentativa de tirar forma do barro, pelo adeus negaceado na série de gestos perdidos nos círculos sem centro. A nada soube responder e levantei minha cabeça, para encarar o incalculável langor dos astros, prontos para refazer nossas marés. Perguntaram-me ainda muitas coisas que não ouvi. Puxei o paletó sobre os ouvidos e corri até o bar mais próximo. A música amarela entrou em mim com a fluidez sinuosa de uma calma sem fim.

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