Partitura de trinados

De noite os pássaros se recolhem em ninhos escondidos. E de repente a cidade perde parte de si nos cantos silenciados. O vácuo no ar é promessa de outras asas, chilreios pronunciados com bicos bebendo o é ter. No alvorecer estão de volta, vitalícios, pois se sucedem em gerações não registradas. A colcha de retalhos da geografia urbana se completa. Sobre o movimento e o tumulto e o vai-e-vem, a campânula sonante de quem traça teia na atmosfera. Mesmo que na pressa a dispensemos em nome do pequeno lugar – nosso ofício, nosso dever, o labirinto de tarefas chãs e repletas de assinaturas – a  canga, a canga, a canga, e nós sempre mudos.

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