Morte

Lembrar que tudo morre é ordenar as coisas em ritmo de finitude. Ter em cada adereço um desenho de despedida. Assim, chegada a hora, tudo se solta com mais facilidade. Tudo cumpre seu papel de cinza e névoa dissolvendo-se no parlamento do dia. Findar-se. Eis a história. Todas as lutas estão amadurecidas. Ergue-se o braço e toca-se algum contorno. Não como alguém que se vai agarrar a ele. Como quem está empenhado em desfazer-se do último contato. Assim o mar toca a areia. A areia arregimenta os pés coroados de brancura. Eles vão para o fim com o canto doce do corpo turvo. Até tudo tornar-se sombra no mais além do gesto.

 

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