Bruno

Por incrível que a fábula seja, surgiste como alguém comum entre tantos outros comuns. Variantes da mesma trivialidade. E no fugaz do reino deste mundo, foste tomando o palco da festa. Ícone isolado para meu coração confuso, signo de plena vida para meus olhos cansados de martelar na mesma insistência. Colorindo o instante com teu aspecto de garça, teus olhos verdes provocaram tantas relembranças. Entre elas as que apaguei por simples escrúpulo. Espírito vazado por histórias inabitáveis. E eras a fábula da aparição da beleza, num momento tão vulgar quanto outros. Logo tornado parêntese de poesia pela tua bravura de só te fazeres presente. E te distinguias pela poeira alada do que de futuro prometias à palavra. Esta ave arisca a que tudo infiltra. Até o impossível de uma visão impossível. Repovoaste a noite como Orfeu. Cantando tuas canções ligeiras, enquanto a mim me cabia fazer paralelos com outras equações só para não cair no pântano.

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